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6 de dezembro de 2017

Projeto Identidade da Escrita: a obra de Manoel Carlos Karam

Karam, em montagem com fotografias de Gloria Flügel

Karam, em montagem com fotografias de Gloria Flügel

O escritor Manoel Carlos Karam tem uma casa de leitura e um prêmio literário com seu nome no Paraná, mas ainda é pouco conhecido em Santa Catarina. Para difundir e colocar em evidência a sua obra, a Fundação Cultural e a Biblioteca Pública Municipal de Rio do Sul promovem um bate-papo literário sobre a escrita de Karam, que é nascido na cidade e faria 70 anos em 2017. Em dezembro, completa-se dez anos da morte do escritor.

O bate-papo marca o lançamento do projeto Identidade da Escrita, que visa destacar e incentivar o público a ler e pesquisar escritores da cidade. E essa primeira edição será realizada dia 11 de dezembro, às 20h, na biblioteca. A mediação será do escritor Carlos Henrique Schroeder, um dos conhecedores e divulgadores da obra de Karam em Santa Catarina.

Para Carlos Schroeder, Karam é dono de uma prosa indefinível e foi um dos escritores brasileiros mais inventivos. “Ler Karam é experimentar uma espécie de teatro interior, onde vozes convulsionadas se sobrepõem, se distanciam e se fundem. É estar numa miscelânea de referências; afinal, somos a soma das nossas referências. E Karam transformou suas referências em algo muito próprio, algo seu, só seu, que de tão seu passa a ser nosso também. Seus livros são difíceis de atrelar a um gênero específico”, afirma.

Carlos Schroeder destaca que Karam é louvado por escritores como Marcelino Freire, Nelson de Oliveira, Marçal Aquino, Ivana Arruda Leite e muitos outros. Também que hoje seus livros são facilmente encontrados, mas que nem sempre foi assim. “Karam chegou a ser o segredo mais bem guardado da literatura brasileira, até encontrar o primeiro grande divulgador de sua obra, o escritor Joca Reiners Terron, que inclusive editou alguns de seus livros”, ressalta.

 

Vida e obra do escritor

       
Manoel Carlos Karam nasceu em Rio do Sul, em 1947. O pai do escritor, conhecido como Titio Karam, hoje dá nome ao Teatro Embaixo da Ponte, no Parque Universitário Unidavi – um local curioso e pitoresco para eventos culturais – era jornalista, agitador cultural e comandava um programa de auditório ao vivo numa emissora de rádio AM. Do pai, Manoel Carlos Karam herdou o humor peculiar e a paixão pela comunicação. Aos 19 anos, deixou a cidade natal para estudar jornalismo em Curitiba. Viveu na capital paranaense até a sua morte, em 1º de dezembro de 2007.

Em vida, Karam publicou Sexta-feira da semana passada (1972), Fontes murmurantes (1985), A cidade sem mar (1989), O impostor no baile de máscaras (1992), Cebola (1996 – vencedor do Prêmio Cruz e Souza de Literatura no ano seguinte), Comendo bolacha maria no dia de são nunca (1999), Pescoço ladeado por parafusos (2001), Encrenca (2002) e Sujeito oculto (2004). E a maioria desses livros foi reeditada recentemente pela Kafka edições e pela Arte & Letra, duas das principais editoras independentes paranaenses. Mas também saíram os póstumos Jornal da guerra contra os taedos (2008), Algum tempo depois (2014), Meia dúzia de criaturas gritando no palco (2014), Godot é uma árvore (2016) e Um milhão de velas apagadas (2016).

Karam já foi tema da Feira do Livro de Rio do Sul e algumas de suas obras estão disponíveis na Biblioteca Pública Municipal da cidade. Essa edição do projeto Identidade da Escrita recebe o apoio da Livraria Riocentro.

 
Por onde começar em Karam?

Carlos Schroder sugere o livro Comendo bolacha maria no dia de São Nunca como uma boa entrada para o universo literário de Karam, para entender seu jogo. “São breves recortes que não cabem nos rótulos mais conhecidos, como conto, crônica ou mesmo o aforismo e a dramaturgia, divididos em nove partes completamente díspares. Esses estalos hoje encontram ecos em livros de autores como Lydia Davis e Gonçalo M. Tavares, pela incrível precisão e brevidade, mas com um humor cáustico, que beira a exasperação, grande marca do autor. É um livro para ler várias vezes, do início ao fim, ou de trás para frente, não importa”, afirma Carlos Schroeder.

 

Karam no teatro

O projeto Mesmas coisas foi criado a partir de um livro inédito de Karam e das provocações da atriz e iluminadora Nadja Naira e da atriz e cantora Michelle Pucci sobre a obra do escritor. É uma peça-performance desenvolvida por um grupo de artistas de Curitiba que resgata a proposta estética do autor, levando ao palco enredos não lineares, fragmentados, na forma de relacionar a obra teatral com o processo criativo de Karam.

 
Projeto Identidade da Escrita: a obra de Manoel Carlos Karam
Bate-papo literário mediado por Carlos Henrique Schroeder
11 de dezembro, 20h
Fundação Cultural de Rio do Sul
Gratuito
Informações: (47) 3521 7702

Tiago Amado
Equipe de Comunicação
Fundação Cultural de Rio do Sul
(47) 3521 7702 
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